Neste domingo, a partir das 9h, a Associação Fotoativa realizará o Pinhole Day Belém 2012, um dia inteiro dedicado à fotografia pinhole. As inscrições podem ser feitas no dia, no próprio Fórum Landi, onde as atividades acontecerão. Todos são muito bem vindos.

Mais informações, através do email: a.fotoativa@gmail.com

Por mais que doa a constatação, manter o edifício já não é mais uma opção para a família. Após ser negligenciada por décadas, em 1973, a capela passou aos cuidados de José Augusto. A ultima restauração foi executada pelo novo dono nesse período. Entretanto, nos anos 1980, sem recursos ou incentivo, ele se viu obrigado a cerrar as portas.

A falta de manutenção deixou profundas marcas na obra. Na fachada, já se percebe as paredes enegrecidas pelo bolor acumulado com o tempo. Trepadeiras se infiltram pela marquise, criando um perigoso jardim suspenso de ervas daninhas. As imagens de Nossa Senhora da Conceição, de São João Batista e do Senhor dos Passos que antes adornavam o interior da igreja, foram retiradas por motivo de segurança. Atualmente, o altar é tomado apenas por visíveis rachaduras e infiltrações. Uma grade de ferro foi instalada logo após a entrada para evitar o acesso dos sem-tetos, que insistiam em utilizar o prédio como quarto – e possíveis ladrões.

De acordo com um levantamento encomendado por José Augusto, os custos de uma reforma emergencial girariam em torno de R$ 300 mil, montante que ele argumenta não dispor. A saída encontrada para salvaguardar o patrimônio foi a venda por R$ 1,2 milhão.

“Todos ficaram ‘irados’ por eu ter botado um preço na capela. Eu sei que é um assunto complicado, pois mexe com a fé das pessoas. Mas eu pensava que, como qualquer proprietário tem direito, eu também pudesse vender o meu imóvel”, revela.

Continue lendo a matéria no jornal Diário do Pará de hoje.

Mas, antes, contribua com nosso crowdfunding pra comprar a Capela Pombo!

Com reflexões sobre o marxismo e sua relação conceitual com o contexto atual da sociedade, o livro Do marxismo ao pós-marxismo, do sociólogo e professor Göran Therborn, será lançado nesta sexta feira, 13, no Auditório José Vicente Miranda Filho, do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da Universidade Federal do Pará, (UFPA), a partir das 17h. O evento será aberto ao público.

O lançamento será realizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), em parceria com a Pró-Reitoria de Relações Internacionais (Prointer), a Editora da UFPA (Edufpa) e o Boitempo Editorial. O evento será aberto pelo pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Emmanuel Tourinho.

Na publicação, Göran busca entender as mudanças sociais e intelectuais ocorridas entre os séculos XX e XXI, analisa o marxismo deste período e tenta situar as práticas da esquerda e seus conceitos no mundo contemporâneo. Em sua análise, o sociólogo questiona se o marxismo ainda é relevante e chega à conclusão de que seu futuro é impreciso. Por outro lado, segundo Göran, o pensamento marxista ainda há muito a oferecer para nossa época.

[Fonte: Ascom/UFPA]

O Professor Fábio Castro, que participará de uma conferência com a Profa. Marise Morbach e o próprio Therborn após o lançamento, publicou três excelentes posts sobre a obra do sueco. Não deixe de lê-los antes de comparecer ao evento: o primeiro, o segundo e o terceiro.

Uma palhinha:

(…) após a crise do petróleo, no começo dos anos 1970, abriu-se espaço para um recuo das esquerdas e um avanço, muito rancoroso, da direita. Esse recuo aconteceu porque os governos de esquerda, notadamente na Europa do bem-estar social, não conseguiram, de acordo com Therborn, responder satisfatoriamente ao impasse gerado pela crise de empregabilidade que se sucedeu à crise do petróleo.

Bom, também houve motivos localizados, de índole regional: o aniquilamento da esquerda árabe, por Israel, na guerra de 1967 e a substituição do populismo latino-americano pela ditaduras pró-EUA, por exemplo.

Tudo isso, operando em conjunto, produziu uma espécie de recuo moral das esquerdas e o conseqüente avanço do neo-liberalismo. E, nesse cenário, com causas próprias, o colapso do Estado soviético, com suas conseqüências – dentre as quais, como sabemos, a auto-proclamada “vitória”, pelos EUA, da guerra fria e, também como decorrência disso, o processo militar norte-americano, cínico como o sabemos, que hoje vamos acompanhando.

[Fonte: Hupomnemata]

Serviço:
Conferência de lançamento do livro Do marxismo ao pós-marxismo do sociólogo e professor Göran Therborn.
Data: 13/4
Hora: a partir das 17h
Local: Auditório José Vicente Miranda Filho, do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Entrada Franca.

Na noite de sabado 28 de janeiro a residência Vitor Maria da Silva, no Ferro de Engomar, o maior conjunto de azulejos “Belle Époque” de Belém foi criminosamente e violentado, estuprado, saqueado. Veja as fotos feitas pelo Luis Laguna, com o seu celular, na ação tipo Occupy dos quixotes do Fórum Landi e da Fotoativa que invadiram a casa, pulando por uma janela lateral e afugentaram os integrantes da tal “gang do azulejo” que rouba e vende para colecionador inescrupuloso e antiquário.

Continue lendo no blog do Prof. Flávio Nassar.

Wesley Kettle é Doutorando em História Social pela UFRJ. Possui graduação em história pela Universidade Federal do Pará e especialização pelo departamento de Arquitetura da mesma instituição. Mestre em História Social da Amazônia pela UFPA, já havíamos publicado aqui no blog sua dissertação “Um súdito capaz no Vale Amazônico (ou Landi, esse conhecido)“. Com a atual situação da Capela Pombo à venda, Kettle volta a nosso blog pra falar um pouco sobre sua monografia “Capela Viva do Senhor Morto: usos do oratório público no Grão-Pará do século XVIII“, disponibilizada pra download pelo próprio autor. Confira abaixo, portanto, a entrevista com Kettle.

Você defende em sua monografia que o uso mais adequado da Capela Pombo é aquela definida pelos fiéis que a frequentam. Por quê? Você poderia esclarecer como seria essa definição?

Defendo isso porque creio que a Capela Pombo é hoje, em Belém, a construção do século XVIII mais visitada não por ter um valor histórico e artístico, ou por ter um sentido religioso pregado pela Igreja, mas pelos diversos interesses particulares dos fiéis que frequentam o espaço, tornando um lugar importante pra vida de cada um deles. A dinâmica e a vida da Capela devem ser entendidas partindo dessa perspectiva. É a visita diária, o segurar na mão do Cristo, uma gotinha de água benta nas mãos e o simples sinal da cruz apressado que dá vida à Capela. Por isso considero o uso da Capela de autoria dos seus visitantes. A Capela é hoje uma porta de acesso ao mundo espiritual, é onde o sapateiro e o juiz de direito clamam, lado a lado, pela cura da filha caçula que está no hospital – o uso dela é definido a partir dos desejos dos seres humanos, passar no vestibular, arrumar um marido, chegar em casa vivo… e tem os visitantes esporádicos: que entram pra fugir da chuva, pra se esconder do cobrador e até turistas.

A monografia também analisou e criticou o discurso de alguns intelectuais acerca da capela. Você concorda que esse discurso prejudica a forma como lidamos com patrimônios religiosos? Em que medida?

Prejudica na medida em que as instituições que trabalham hoje com esse tipo de patrimônio procuram valoriza-los repetindo argumentos desses intelectuais de meados do século passado (que, na minha opinião, não obtiveram sucesso), isto é, buscam apenas na originalidade artística e arquitetônica, no significado histórico, ou até em um autoria não comprovada, o valor do patrimônio, e esquecem de prestar atenção na opinião da população que visita ou que tem vontade de visitar aquele espaço.

Quero destacar que é preciso entender a função desse tipo de discurso pregado pelos intelectuais da década de 1960 até 1980, que discuto em meu trabalho, em seu contexto histórico. Foram os motivos políticos de um dado momento histórico que levaram intelectuais como Donato Mello Junior, Leandro Tocantins e Augusto Meira Filho lançarem mão desse tipo de argumento que dá importância à capela pelos seus ornamentos artísticos e pela assinatura do autor da obra.

Em minha opinião, o que prejudica a forma como lidamos com os patrimônios históricos em geral é não irmos além disso. Logo, penso que devemos estar atentos pra perceber como a comunidade vê aquele espaço.

No inicio da monografia, é feita uma apresentação do modo como as capelas eram construções anexadas à casa nobre, ou seja, de uso privado. Passa-se o tempo e muitos intelectuais defendem que aquela construção se tornou de domínio público. Qual seu posicionamento quanto a isso? Sendo autoria de Landi ou não, como você acha que deve ser encarada a preservação da Capela do Pombo?

Realmente, ao longo do tempo, ela assume uma função pública, ou como D. Alberto Ramos se referiu: “um oratório semi-público”, já que a capela iria atender não apenas à família do Governador, mas outros membros da administração pública. Percebo com tranquilidade as mudanças nos usos de um espaço como a Capela Pombo, e não vejo nenhum problema nisso. Deixo claro, ao final do primeiro capítulo, que podemos reconhecer a capela como um “palíndromo histórico”, isto é, particular e público – público e particular. Porém, no caso da capela, o mais importante é perceber o que seus inúmeros fiéis tem a ensinar àqueles que trabalham com preservação de monumentos históricos – é isso que busquei na minha monografia.

Sobre minha opinião a respeito da preservação, penso que a opinião dos fiéis sobre o estado deteriorado da capela deveria ser reverberado de alguma maneira, também acho que não só o poder público, como a Igreja deveria se envolver nesse processo.

Querendo contribuir com nosso financiamento coletivo pra arrematar a Capela Pombo, clique aqui.

Flávio Nassar por Octávio Cardoso

Já houve outras tentativas de categorizar o patrimônio de Belém. A primeira, seria transformar o centro histórico em patrimônio cultural da humanidade, a segunda, aproveitar a diversidade e transforma-la em paisagem histórica. Nenhuma apresentou sucesso. A razão principal do fracasso diz respeito ao fato de o centro histórico encontrar-se bastante modificado. A arquitetura histórica está descaracterizada. A unidade é um dos elementos fundamentais cobrados pela Unesco para conceder à cidade o título. Mesmo se houvesse um projeto de restauração e revitalização do centro histórico, não seria um processo fácil. Daí a nossa alternativa. Uma estratégia que permite um recorte dentro da cidade e só é possível porque houve uma reformulação recente na legislação, permitindo que pontos isolados possam ser transformados em patrimônio. Vimos nessa alteração a possibilidade de alavancar Belém nesse processo de patrimônios da humanidade.

Aos que ainda não leram a entrevista com o Prof. Flávio Nassar no Diário do Pará, por favor, não deixem ler aqui. Vale muito a pena, cada palavra.

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