Mobilização para tombar as obras de Landi

Sábado, 20/08/2011, 07h19


“Morei na Cidade Velha dos três aos treze anos de idade, entre o começo dos anos 60 e 1970, na primeira casa onde começava o Beco do Carmo. Minha infância toda foi naquelas ruelas da Cidade Velha, onde tinha muitos amigos, brincava tanto na Praça do Carmo como na Praça da Sé e na Praça do Relógio (D. Pedro II). Naquela época, podia-se fazer isso sem medo, nossas mães eram mais tranquilas.”

É através da história de vida de moradores de Belém, como o relato dado por Maria Auxiliadora, que parte um projeto para tornar as obras de Antônio Landi em patrimônio da humanidade. A estratégia da campanha “Belém de Landi – Patrimônio Mundial”, promovida pelo Fórum Landi, é se valer da mobilização social para convencer a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a tombar as obras do arquiteto italiano que viveu no Pará no século 18.

As pessoas ajudarão compartilhando suas memórias, como fotos, vídeos e histórias por meio do projeto “Landi em Minha Vida”, que está sendo reunido no blog da campanha. A ideia é privilegiar a relação afetiva da sociedade com os edifícios históricos projetados por Landi como a Catedral de Belém, a Igreja do Carmo, a Casa das Onze Janelas, a Igreja de Santo Alexandre e o antigo Palácio dos Governadores, hoje, Museu do Estado.

“Queremos valorizar o patrimônio imaterial. Começar dessa forma a produzir uma rede de pessoas comprometidas com essa ideia. A proposta é fazer mobilização e unir as pessoas via Facebook, Twitter e do blog”, afirma Flávio Nassar, coordenador do Fórum Landi.

REDE

A proposta da criação de uma rede de colaboradores foi também uma forma de burlar as dificuldades financeiras. Se uma consultoria fosse contratada para dar cabo do projeto o orçamento ficaria em torno de R$ 600 mil.

O conceito de rede colaborativa também irá se estender para executar o inventário das obras e elaborar o projeto. A comissão especialista do Fórum Landi ficará encarregada de montar um roteiro com a metodologia da Unesco. Pesquisadores e especialistas entrariam com contribuições à pesquisa. “Por exemplo, a professora Elma Trindade tem uma tese acadêmica sobre o Palácio dos Governadores. Iremos reunir essas pesquisas acadêmicas sob o teto do projeto ‘Belém de Landi’. É a primeira vez que se está tentando fazer um projeto desse em rede”, conta Flávio.

Ainda assim, a candidatura só poderá ser apresentada à Unesco quando estiver concluída pelo governo federal, por meio do Ministério da Cultura.

Apesar de Flávio Nassar avaliar a conservação dos edifícios como boa, ele aponta que alguns inspiram cuidados pelo péssimo estado de conservação, como a Igreja do Carmo e o Engenho do Murucutu. “A partir da declaração da Unesco você ganha visibilidade. O título também demanda o comprometimento das autoridades para preservar esse patrimônio, já que é revisado a cada 10 anos”, explica.

(Matéria publicada no primeiro caderno do jornal Diário do Pará, no último sábado, 20/08/2011)
O original, aqui

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: