Entrevista: Mariana Sampaio

Mariana Sampaio é Arquiteta, Mestre em Desenvolvimento Urbano (UFPE) e Doutoranda em Antropologia (UFPA). Atualmente, exerce função técnica no Fórum Landi, além de lecionar na UFPA/ICA (PARFOR). Mariana atua na área de Patrimônio Cultural (gestão e pesquisa), Educação Patrimonial, Museologia e Licenciamento Ambiental. Em entrevista concedida ao blog do Fórum Landi, ela contou um pouco de seu trabalho e da relação da população de Belém com seu patrimônio. Confira:

Qual é tua experiência na área de educação patrimonial?

No campo acadêmico, sou professora e tenho publicado resultados de trabalho em congressos. Na prática, implemento programas de EP no âmbito privado, em processos de licenciamento ambiental. Já no âmbito público, realizei algumas ações pontuais pelo DPHAC. Atualmente, coordeno um programa de EP em Canãa dos Carajás, para Vale.

Ações educativas relacionadas ao patrimônio histórico envolvem somente o conhecimento daquele patrimônio, ou se trata de um conjunto de ações mais abrangentes, de preservação e manutenção?

O objetivo maior em uma ação de EP é a sensibilização de um público para a conservação e manutenção de um bem. Dependendo da estratégia que se adota nas ações de EP, é possível alcançar além da sensibilização: a própria preservação e manutenção do bem. Por isso, as ações de EP devem ser contínuas, criando oportunidade de contato e estabelecimentos de laços afetivos e apropriações entre o público e os bens. O acompanhamento do público é essencial na avaliação do desempenho do programa – é quando interpretamos os resultados das ações implementadas em determinado período, observando se objetivos foram alcançados.

Como avalias a relação entre a população de Belém e o patrimônio histórico da cidade?

A população de Belém abrange uma diversidade de grupos com diferentes pensares, onde cada qual se relaciona de uma forma específica com a cidade. Há grupos com interesse em preservar, grupos com interesse em destruir e há grupos indiferentes.

Existe alguma iniciativa de educação patrimonial satisfatória em Belém?

O IPHAN tem feito algum trabalho no Ver-o-Peso, de forma lúdica, através do teatro. Para responder se a iniciativa é satisfatória, é preciso fazer uma pesquisa de campo, mas pode-se questionar diretamente ao IPHAN, solicitando relatório da ação. Existe também um blog chamado “casarão de memórias”, criado por iniciativa de alguns alunos meus.

De que modo políticas públicas podem ser desenvolvidas para educar a população sobre o patrimônio histórico da cidade?

As instituições de gestão da cidade (no âmbito municipal, estadual e federal), Universidade públicas, privadas e ONGs devem construir estratégias para abordar o tema da necessidade de preservação da memória da cidade e moradores, onde os conjuntos edificados são documentos que relatam o percurso do tempo, no espaço.

E como o Fórum Landi tem atuado, no âmbito da educação patrimonial?

Tenho um trabalho que será vinculado ao novo site, ainda em construção. O programa de Educação Patrimonial seria para professores das escolas da rede pública e teria três momentos: módulo presencial, discutindo memória e patrimônio; o segundo módulo seria um banco de atividades, disponibilizado no site para professores acessarem e o aplicarem em sala de aula; e o terceiro módulo seria também presencial, para avaliar as atividades que os professores aplicaram em sala de aula.

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