Dó, sol, mi, dó

Com essa escala musical, o compositor Claudio Monteverdi iniciou uma de suas maiores obras, na Itália do Século XVII: a ópera L’Orfeo. Passados 400 anos, as cortinas do Theatro da Paz se abriram e aquelas mesmas notas não mais saíram do instrumento de um italiano, mas de violinos, trompetes e gargantas paraenses. A composição atravessou o Atlântico e foi interpretada pela camerata da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA) e pelo madrigal da UEPA. O evento fez parte do “Momento Brasil-Itália”, que celebrou o intercâmbio entre as duas nações, e da 38º edição do Encontro de Artes de Belém (ENARTE).

Como assinalou o Pró-reitor de Relações Internacionais da UFPA e Coordenador do Fórum Landi, professor Flávio Nassar, não é de hoje que a relação entre brasileiros e italianos dá bons frutos: “A UFPA está satisfeita de participar do ENARTE e poder incluir-se na grande festa que é o ‘Momento Brasil-Itália’. Só temos a agradecer pela grande contribuição que a Itália deu pra cultura dessa cidade. Basta observar a paisagem: a arquitetura de Belém está repleta de obras de Landi, que deixou sua marca nas igrejas e outras edificações no século XVIII”.

Diz-se que a ópera é a arte do encontro. Encontro harmônico e pulsante entre a música, a poesia, o teatro e a dança. Nada melhor do que essa metáfora pra expressar a comunhão entre povos tão distantes e tão próximos ao mesmo tempo e, no mais, o clima que regeu a noite de quarta.

O Embaixador da Itália, Gherardo La Francesca, estava presente e parece ter sido contagiado pelo espírito: “Itália e Brasil sempre mantiveram relações amistosas, de amizade, de complementaridade. Eu posso, por experiência própria, dizer o porquê: italianos se sentem em casa quando vêm pro Brasil. Isso facilita, faz com que o artista italiano expresse o melhor de sua arte, como fez Landi ao chegar aqui”.

Um século antes de Antonio Landi pisar em terras amazônicas, Monteverdi compunha L’Orfeo, que traduz aos palcos o mito grego de Orfeu. Três séculos depois, no abrir das cortinas, o maestro francês Philippe Forget deu vida nova ao espetáculo com um simples movimento de mãos. Cenografia e figurino, com uma proposta minimalista (de Claudio Rego de Miranda e Hélio Alvarez, respectivamente), apresentavam tecidos esvoaçantes que adquiriam formas várias de acordo com a iluminação, determinante na atmosfera do espetáculo, desde o étereo campo com pastores e seus tons claros de verde e azul, até o vermelho incediante de terras dignas do inferno de Dante (não por acaso, outro italiano).

A escolha dos palcos do Theatro da Paz representou outro encontro entre Itália e Brasil: “Além da arquitetura do prédio, a pintura no teto foi feita pelos italianos D’Angelis e Capranezi”, lembrou Nassar.

De um lado, agradecimentos. Do outro, tanto quanto: “Moro faz dois anos no Brasil e ainda não sei falar português fluentemente, mas posso dizer duas palavras: muito obrigado. Obrigado ao Brasil e ao Pará”, sintetizou La Francesca. E que mais bons frutos possam vir do contato entre brasileiros e italianos, seja na música, seja na arquitetura.

[Texto e fotos: Caroline Soares]

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2 comentários
  1. Claudio Rego de Miranda disse:

    Gostaria que a autora do texto corrigisse, por gentileza, a autoria de cenários e figurinos, onde se lê (ambos assinados por Nelson Borges), leia-se Cenógrafo: Claudio Rego de Miranda e Figurinista: Hélio Alvarez. Desde já agradeço.

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