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Educação Patrimonial

Na noite de sabado 28 de janeiro a residência Vitor Maria da Silva, no Ferro de Engomar, o maior conjunto de azulejos “Belle Époque” de Belém foi criminosamente e violentado, estuprado, saqueado. Veja as fotos feitas pelo Luis Laguna, com o seu celular, na ação tipo Occupy dos quixotes do Fórum Landi e da Fotoativa que invadiram a casa, pulando por uma janela lateral e afugentaram os integrantes da tal “gang do azulejo” que rouba e vende para colecionador inescrupuloso e antiquário.

Continue lendo no blog do Prof. Flávio Nassar.

O projeto, apresentado pelo Instituto de Patrimônio Histórico Cultural Nacional (IPHAN), está orçado em R$ 4.189.103,03, valor que será patrocinado pela Vale, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet). O recurso para a realização da obra já foi depositado à Arquidiocese de Belém. Agora a Vale abrirá processo licitatório para contratar a empresa que fará a reforma, coordenada pela Igreja de Belém em parceria com a superintendência regional do Iphan. “É bom que essa reforma aconteça em uma data como esta. Afinal, esta igreja é uma referência da cultura e da arte sacra”, declarou o Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa.”. A Vale precisa de Lei de incentivo, pelo que sei já paga uma insignificância de impostos, para bancar seus projetos culturais, outra coisa por que não patrocina projetos culturais via edital como todos os grandes patrocinadores do país. O Fórum Landi precisa estar inserido neste projeto assim como a CiVIVA para dar transparência ao processo de restauro. Espero que o projeto inclua em seu projeto ações de cidadania e educação patrimonial no entorno, principalmente com crianças e adolescentes em situação de risco.

Continue lendo o texto de Ramiro Quaresma em Xumucuís.

Hoje, o ato de fotografar e depois blogar, tuitar ou feicebucar, faz parte de nosso processo cognitivo, ou, pelo menos, de memorização. Só ver não basta, a câmera do celular, quase já universalizada, é extensão do olho e da memória, registra, armazena e distribui.

Foram proibir logo nosso coordenador multimídia [e Pró-Reitor da UFPA] Prof. Flávio Nassar de tirar suas fotografias… Nassar registrava a exposição Poesia Gravada, de Oswald Goeldi, no Museu da UFPA, quando lhe pediram pra que embainhasse o celular.

O resto da história continua aqui.

Domingos Oliveira é Arquiteto e Urbanista formado pela UFPA (1990), Engenheiro Civil (CESEP/1987) e Mestre em Artes, pelo Institudo de Ciências da Arte da UFPA (2011). Servidor do Ministério Público do Estado do Pará, Domingos é especialista em Interpretação, Conservação e Revitalização do Patrimônio Artístico de Antônio José Landi. Atualmente, dedica-se à pesquisa da arquitetura do século XVIII em Belém, com ênfase no repertório ornamental de nosso arquiteto italiano predileto, Landi.

O trabalho de Domingos em seu blog Ornamento Arquitetônico é destaque usual aqui no blog do Fórum – e não é por menos.

Abaixo, entrevista concedida pelo pesquisador à equipe do Fórum Landi.

Em tua dissertação, expões detalhadamente as contribuições ornamentais de Landi para a arquitetura de Belém. A preservação de um patrimônio deve se basear em pesquisas como a tua?

Muito já foi estudado da vida e obra de Antônio Landi, porém é visível a oscilação entre os autores no que diz respeito a seu estilo. Como o ornamento, sua presença ou ausência, define um estilo, lancei então um olhar ampliado e sistematizado sobre os ornatos que o arquiteto utilizou em sua produção, no sentido de enxergá-los com “lentes de aumento”, a fim de revelá-los, dessa forma, espero ter contribuído com os estudos landianos. Acredito que ao desvendar, através desse olhar microscópico, detalhes da obra do arquiteto, contribuí para reforçar, mais ainda, sua importância e seu valor no panorama da arte setecentista no Brasil e, quiçá, no mundo. Certamente, quanto mais detalhes de um bem são conhecidos, reforçando assim sua importância, mais se entende que o mesmo deva ser preservado e legado às gerações futuras, e aí reside um mérito dessa pesquisa.

Quais são as dificuldades de se pesquisar o patrimônio histórico de Belém? Existe uma relação entre essas dificuldades com a própria dificuldade de manutenção desse patrimônio?

Ao longo do tempo, muito foi perdido de nossa cultura, de nossas referências históricas. Há arquivos precisando de cuidados e muitos deles ainda necessitando ser revelados, ação essa que pode desvendar muito de nosso passado e que pode tecer o pano de fundo da cultura de um determinado período. Um exemplo disso ocorreu comigo durante a pesquisa sobre a Capela Pombo, quando encontrei informações da existência de outras capelas particulares na cidade, o que, aliás, já suspeitava, e tais referências estavam guardadas nos documentos da época e precisando de pesquisa. Além disso, há fontes documentais armazenadas em arquivos fora da cidade e mesmo fora do país. Com o acesso limitado, montar esse percurso se torna mais trabalhoso. Ao fazer um paralelo com a manutenção do patrimônio histórico de Belém, se há lacunas quanto à história desse patrimônio, suas origens, sua importância, o preenchimento dessas lacunas fortaleceria a necessidade de preservá-lo e de mantê-lo para as gerações futuras.

Rua Gaspar Viana, por Domingos Oliveira.

De modo geral, qual é a situação do patrimônio histórico em Belém? E com relação à Cidade Velha?

Falta cuidar. São anos de descaso. Muito foi perdido e não poderá, infelizmente, ser recuperado. Espera-se que o que ainda resta, possa ser salvo, pois o processo de degradação continua. Falta conscientizar de que o ato de preservar e manter edificações, por exemplo, pode trazer benefícios para a cidade; de que o novo e o antigo podem conviver harmoniosamente; de que as requalificações, quando bem articuladas, podem ser positivas e que medidas preservacionistas podem ser benéficas. Mas falta visão de conjunto. Não se pode continuar recuperando prédios isolados sem que se pense no entorno, nas edificações vizinhas, na paisagem, no trânsito, na população que nele mora ou que dele se utiliza, enfim no conjunto.

Por fim, é preciso tratar as ações restaurativas de edifícios de maneira séria e responsável. Não é possível continuar fazendo reformas e chamar de restauração como o que se viu recentemente no 2º Batalhão da Polícia Militar do Estado do Pará. E é importante que se pensem não apenas nos conjuntos remanescentes do período colonial, mas das épocas subsequentes, afinal tudo faz parte dos bens patrimoniais da cidade.

Especificamente as duas primeiras áreas de ocupação da cidade – bairros da Cidade Velha e do Comércio – mostram as situações mais graves. O primeiro, o mais antigo, predominantemente residencial, perdeu bastante de suas edificações civis e muitas das remanescentes estão degradadas. O segundo, dominado, em geral, por edificações inadequadamente adaptadas ao uso comercial, apresenta graves problemas de infra-estrutura urbana, dada a circulação intensa de veículos e pessoas no horário comercial o que contrasta com a subutilização nos demais períodos.

Tv. Rui Barbosa, por Domingos Oliveira.

O que falta para que essa situação seja mudada? Como avaliarias a relação entre o belenense e o patrimônio histórico da cidade?

Falta massificar o pensamento de que o patrimônio histórico pode e deve ser motivo de orgulho para a população. Mas essa transformação precisa de tempo, pois é necessário que seja feita de forma profunda. Os ensinos médio e fundamental deveriam ter entre suas metas a História desse Estado, dessa cidade e o estímulo à educação do olhar. O belenense, de uma maneira geral, desconhece seu passado e, por desconhecê-lo, não o valoriza. Utilizar o patrimônio arquitetônico, suas edificações, suas ruas e seus monumentos, por exemplo, para contextualizar a história da cidade poderia contribuir de forma significativa para essa mudança. Felizmente, movimentações, ainda que isoladas, começam a surgir no sentido de preservar o patrimônio histórico dessa cidade e devem ser estimuladas. Veja-se o recente e louvável movimento “Sempre Apinajés”, que tomou força através das redes sociais, e que movimentou a opinião pública no sentido de que se retorne o nome de Travessa Apinajés, a uma das ruas do Bairro de Batista Campos.

A educação patrimonial é certamente necessária no processo de conservação do patrimônio histórico. Como achas que melhor se encaminharia esse tipo de medida?

A partir do momento em que o indivíduo conhece a cidade em que vive, sua história, sua cultura, seus bens arquitetônicos, naturais e artísticos, pode adquirir a consciência de que os elementos do passado, quer recente, quer longínquo, precisam ser preservados pois constituem as marcas da passagem do tempo para a cidade e para seus habitantes e, portanto, responsáveis pelo que aquele indivíduo vivencia hoje, afinal o presente é o resultado dos passados. Dessa forma, a educação patrimonial é necessária ao processo de conservação do patrimônio histórico, pois reforça positivamente o valor dos bens patrimoniais.

No vídeo acima, é apresentado um aplicativo para smartphone desenvolvido em Roma. Funciona assim: o usuário (turista, curioso local, estudioso etc.) captura a imagem de um determinado monumento histórico e, por meio do GPS em seu smartphone, o aplicativo fornece as mais diversas informações sobre ele, desde como era antes do restauro, em séculos passados, a uma visita virtual por seu interior.

Segundo o Prof. Flávio Nassar, algumas cidade brasileiras já estariam trabalhando na obtenção da tecnologia para o desenvolvimento do aplicativo. Lança, então, a pergunta: e se fosse em Belém?

Pois bem. Será em Belém. Em uma parceria com o programa UFPa 2.0, o Fórum Landi está em busca de parceiros que abraçassem a causa, financeira ou tecnicamente. Quem se habilita?

Deixe-nos saber: belemdelandi@forumlandi.org ou flavio.nassar@forumlandi.org

Confira aqui a programação oficial completa dos três dias da Semana do Patrimônio Paraense, que começou hoje sua programação, em comemoração ao Dia do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Pará, sancionado pelo Governo Estadual, por intemédio da Lei de n° 7. 515, de 28 de abril de 2011. Não perca!

Mariana Sampaio é Arquiteta, Mestre em Desenvolvimento Urbano (UFPE) e Doutoranda em Antropologia (UFPA). Atualmente, exerce função técnica no Fórum Landi, além de lecionar na UFPA/ICA (PARFOR). Mariana atua na área de Patrimônio Cultural (gestão e pesquisa), Educação Patrimonial, Museologia e Licenciamento Ambiental. Em entrevista concedida ao blog do Fórum Landi, ela contou um pouco de seu trabalho e da relação da população de Belém com seu patrimônio. Confira:

Qual é tua experiência na área de educação patrimonial?

No campo acadêmico, sou professora e tenho publicado resultados de trabalho em congressos. Na prática, implemento programas de EP no âmbito privado, em processos de licenciamento ambiental. Já no âmbito público, realizei algumas ações pontuais pelo DPHAC. Atualmente, coordeno um programa de EP em Canãa dos Carajás, para Vale.

Ações educativas relacionadas ao patrimônio histórico envolvem somente o conhecimento daquele patrimônio, ou se trata de um conjunto de ações mais abrangentes, de preservação e manutenção?

O objetivo maior em uma ação de EP é a sensibilização de um público para a conservação e manutenção de um bem. Dependendo da estratégia que se adota nas ações de EP, é possível alcançar além da sensibilização: a própria preservação e manutenção do bem. Por isso, as ações de EP devem ser contínuas, criando oportunidade de contato e estabelecimentos de laços afetivos e apropriações entre o público e os bens. O acompanhamento do público é essencial na avaliação do desempenho do programa – é quando interpretamos os resultados das ações implementadas em determinado período, observando se objetivos foram alcançados.

Como avalias a relação entre a população de Belém e o patrimônio histórico da cidade?

A população de Belém abrange uma diversidade de grupos com diferentes pensares, onde cada qual se relaciona de uma forma específica com a cidade. Há grupos com interesse em preservar, grupos com interesse em destruir e há grupos indiferentes.

Existe alguma iniciativa de educação patrimonial satisfatória em Belém?

O IPHAN tem feito algum trabalho no Ver-o-Peso, de forma lúdica, através do teatro. Para responder se a iniciativa é satisfatória, é preciso fazer uma pesquisa de campo, mas pode-se questionar diretamente ao IPHAN, solicitando relatório da ação. Existe também um blog chamado “casarão de memórias”, criado por iniciativa de alguns alunos meus.

De que modo políticas públicas podem ser desenvolvidas para educar a população sobre o patrimônio histórico da cidade?

As instituições de gestão da cidade (no âmbito municipal, estadual e federal), Universidade públicas, privadas e ONGs devem construir estratégias para abordar o tema da necessidade de preservação da memória da cidade e moradores, onde os conjuntos edificados são documentos que relatam o percurso do tempo, no espaço.

E como o Fórum Landi tem atuado, no âmbito da educação patrimonial?

Tenho um trabalho que será vinculado ao novo site, ainda em construção. O programa de Educação Patrimonial seria para professores das escolas da rede pública e teria três momentos: módulo presencial, discutindo memória e patrimônio; o segundo módulo seria um banco de atividades, disponibilizado no site para professores acessarem e o aplicarem em sala de aula; e o terceiro módulo seria também presencial, para avaliar as atividades que os professores aplicaram em sala de aula.

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